Odeio essa garota, pensou Kátia enquanto observava Tati passar.
Tati devia ter em torno de 19 anos. Tinha cabelos curtos e formas masculinas. Kátia odiava o modo como ela se portava, o modo como vivia fazendo tudo sem se importar com nada, como ela podia agir daquele jeito? O fato de ser sua colega de classe só piorava a situação. Kátia, é claro, sempre tratara Tati com o devido respeito, mas por dentro não suportava conviver no mesmo ambiente que ela.
Naquele dia não foi diferente, Kátia estava sentindo-se incomodada pela presença da colega ao se encaminhar para a quadra, onde teria aula de Educação Física. Decidiu então inventar uma desculpa qualquer para não participar do jogo.
Quando o professor a liberou, Kátia se dirigiu ao banheiro para lavar o rosto, estava demasiado quente para aquela época do ano. Ao entrar no lugar, seguiu direto para pia, mas logo percebeu que não estava sozinha, pois ouviu um barulho em um dos boxes. Se aproximou do lugar de onde vinha o barulho e percebeu que a porta estava aberta. Quando de frente para a porta viu Mel, sua ex-colega de classe, alguém que sempre admirou, apesar de não nunca ter nenhum tipo de contato. Mel estava de costas terminando de trocar a blusa.
-O que estava fazendo aí parada me olhando? - perguntou Mel ao se virar.
-Eu... me desculpe, eu ouvi um barulho e só... me desculpe. - e foi-se virando para sair dali, quando então sentiu a mão de Mel segurando o seu braço.
- Não, tá tudo bem. Me desculpe, acho que fui um pouco grossa. Meu nome é Mel, o seu é Kátia, não é?
Ela sabe meu nome, pensou Kátia feliz, sem entender ao certo motivo da felicidade. - Sim, é isso mesmo - respondeu.
-Então Kátia, fugindo da aula?
Ela não sabia o porque, mas o sorriso de Mel parecia-lhe tão fascinante e a voz tão doce, como o próprio nome. Então sorriu antes de dizer. - É, eu não gosto muito de exercícios físicos, prefiro exercitar minha mente.
- Verdade? Bem, eu também. Você gosta de jogar xadrez? Se quiser pode ir até minha casa na semana que vem para uma partida, o que acha?
- Seria demais! - respondeu Kátia, tão empolgada que achou que estava parecendo uma idiota.
- Então, segunda-feira que vem depois da aula nós vamos pra minha casa, tudo bem?
- Ok. Até lá então - respondeu Kátia, com um sorriso de orelha a orelha.
A semana passou e finalmente chegara segunda-feira. Kátia estava ansiosa, não tinha falado com Mel desde aquele dia, mas passara todos os dias lembrando do momento. Ela se questionou por estar tão feliz, seria isso normal? Normal ou não, ela sabia que isso era algo que não conseguia controlar, pois já tinha tentado.
As aulas terminaram e lá estava Mel esperando Kátia na frente da escola.
Enquanto se encaminhavam para casa de Mel, Kátia sentia-se eufórica. Ela queria ser agradável, de alguma forma sentia como se quisesse conquistar a menina. Quero ser amiga dela, pensou.
Enfim, chegaram a casa e logo se encaminharam para o quarto de Mel, onde tudo era harmônico, as cores, os objetos, os móveis, tudo se resumia a harmonia.
Mel pegou o tabuleiro e as peças dentro de uma gaveta e enquanto fazia isso Kátia reparava nas suas mãos delicadas com dedos finos e longos. São tão elegantes... são tão lindas, pensou.
Jogaram e Kátia perdeu.
- Ah, não faça esse biquinho, eu jogo há bastante tempo. - disse Mel, enquanto segurava as mãos de Kátia. - Sabe Kátia, eu... eu quero te dizer algo... por favor, não tenha medo.
Ao ouvir isso, foi a primeira coisa que Kátia sentiu: medo. O que será que ela vai dizer? Porque meu coração parece que vai sair pela boca? - pensou, enquanto sentia a boca seca.
-Kátia, eu... por favor, não tenha medo... eu... eu gosto de você. Eu... eu sei que é estranho, mas eu quero ser a pessoa mais próxima de você.
Kátia demorou um pouco para assimilar as palavras e quando então entendeu não conseguiu dizer nada e nem fazer nada. - O que ela está querendo dizer? Isso é... errado! - concluiu por fim o pensamento.
-Kátia, eu te observo a muito tempo. Eu sempre quis falar com você, mas... por favor não tenha medo de mim.
Ela então foi a aproximando a cabeça, os lábios. Kátia estava imóvel, não sabia o que fazer. - O que estava acontecendo? Estaria ela sonhando? - pensou.
Quando sentiu a respiração de Mel bastante perto fechou os olhos e sentiu os lábios dela encostando nos seus. Começou a relaxar.
Era como estar flutuando. Começou a sentir um calor, algo bom, algo puro, não era algo malicioso. Deixou-se entregar ao beijo, não queria que terminasse. Sentiu a mão de Mel segurar o seu rosto.
Quando seus lábios se afastaram, ambas se abraçaram. Kátia sentiu as lágrimas começarem a saírem sem serem convidadas.
- Mel, eu gosto de você também - disse, com a voz embargada. - Eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida. Olhou-a nos olhos, ao dizer estas palavras e deu-lhe um beijo. Como eu não percebi antes, pensou.
As duas permaneceram abraçadas por um longo tempo.
Por fim se viram aos risos. E então Kátia parou de rir e ficou séria de repente. - Mel, isso... isso não é errado?
- É errado ficar com alguém que se gosta?, disse Mel com um tom firme.
- Tem razão. - disse Kátia, explodindo de paixão.
No outro dia, quando estava chegando na escola viu Tati - a menina de cabelos curtos - passar, mas percebeu que não sentia mais aversão a ela. Se deu conta de que na verdade nunca sentira, o que sentia era inveja da atitude da menina. Ela sempre foi ela mesma, nunca teve medo disto, nunca vestiu nenhuma máscara, e tudo o que eu queria era ser como ela. - pensou Kátia, enquanto caminhava para o portão de entrada da escola.
Eu a admiro. - disse Kátia para Mel quando a encontrou, enquanto apontava para Tati. -Serei de agora em diante eu mesma, como ela sempre foi. - completou, enquanto segurava uma das mãos de sua amada.
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Atenção: você leu um conto fictício e eu só fiz isso uma ou duas vezes, então tenha piedade.
26 de agosto de 2012
25 de fevereiro de 2012
Uma noite de terror
Desde pequena eu sempre tive problemas com ver, ouvir e sentir coisas inexplicáveis. Lá pelos 3 anos de idade eu dizia que uma nuvem negra costumava me seguir e conforme eu fui crescendo passei a ver vultos, espectros, além de ouvir vozes e sentir coisas me tocando. Eu nunca soube lidar com isso e sempre preferi ignorar, tenho medo.
Na última quinta-feira (23) faltou luz por aqui e é claro que meu desespero foi imediato, pois o escuro piora as coisas. Eu tinha velas guardadas na minha gaveta, mas precisava ir até a cozinha para acendê-las.
Fui com a ajuda do meu celular e acendi duas velas. Voltei para o quarto e aproveitei a bateria do notebook para deixar que uma música bem alegre tocasse.
Mesmo estando toda suada - estava bastante quente - deitei na cama pra tentar dormir e esquecer do pânico, mas não conseguia.
Pensei em ligar para alguém, mas a bateria do celular acabou e nem um minuto depois acabou a do note também. Pra piorar assim que entrei naquele silêncio profundo e agonizante, a porta do meu quarto (sanfonada) pareceu ser empurrada. Fiquei atenta e pedindo a Deus pra me dar calma.
Os barulhos e objetos caindo continuaram, até que olhei para o relógio e vi que marcava 03h00. "Fudeu!"
Nem preciso dizer que os "empurrões" continuaram na porta. Mas para meu alívio poucos minutos depois e a luz voltou. "Obrigada Senhor!"
Pelo som na sala percebi que minha mãe havia saído do quarto, encontrei com ela na cozinha. Ela subiu pro quarto novamente e eu já um pouco recuperada do pavor peguei minha roupa para tomar banho e subi logo em seguida.
Estava minha mãe ajoelhada em frente ao quarto dela, fazendo movimentos estranhos, sussurrando coisas inaudíveis com aparente raiva e pra piorar com uma faca na mão.
Pensei: "Agora ela vira a cabeça e anda pelas paredes! Socorro!!!"
"Mãe? O quê que é isso?"
Ela me me ignorou e continuou com os movimentos estranhos naquele canto escuro, dava pra ver que ela estava se machucando. Ela disse "San...gue de... Jesus.... tem... poder!" fazendo verdadeira força.
Eu continuei imóvel só esperando o momento que minha mãe assumiria uma postura demoníaca.
Então a porta do quarto dela abriu e ela comemorou "consegui!! =D".
"A cadeira que estava atrás da porta acabou caindo e a trancou por dentro. Estava tentando destrancar com a faca. Graças a Deus consegui! Sangue de Jesus tem poder!"
Depois dessa, só me restou tomar meu banho, ir pra cama e dormir.
13 de novembro de 2011
Revolta contra os demônios
“Mas Deus, não tendo em conta os tempos de ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam;”
Atos 17: 30
Há alguns meses minha mãe começou a frequentar uma igreja evangélica e, ao contrário do que muitos filhos adolescentes fariam, eu me abstive a críticas ou julgamentos, pelo contrário, sentei para conversar com minha mãe.
Ela me explicou os motivos dela e eu compreendi, assim como a expliquei e pedi que entendesse minha visão sobre o assunto, de que prefiro buscar a paz em Deus, não em uma igreja.
Tudo certo, tudo em paz, então há algumas semanas veio o anúncio de que ela iria se batizar. Sem problemas, conversamos e entendi o processo e o motivo.
Hoje minha mãe pediu para que eu digitasse algo que um “irmão” tinha dado a ela e que seria necessário para o batismo.
O papel indicava capítulos e versículos, além de algumas citações e um tipo de interpretação da bíblia.
Fui digitando e prestando atenção no que lia, até que vi isso, exatamente isso:
“Os homicídios e os afeminados não, o demônio que causa isso é muito difícil de ser tirado, ser deixado, ser libertado desses demônios”.
O sangue me subiu na hora, peguei o papel e então me dirigi até a sala, onde estavam minha mãe e uma prima (já batizada na igreja).
Li então em voz firme e com tom suave o que estava escrito e perguntei “o que isso significa?”.
Minha prima respondeu: “Bem, quer dizer que os homicídios, quero dizer, os assassinos e os afeminados - que são os homossexuais - são maus e é difícil libertar eles”.
Meus olhos ficaram cheios de lágrimas de raiva. Entrei no meu quarto sem falar nada, mas não consegui conter aquela revolta e indignação que estava guardada no meu peito e teimava em sair... Falei alto: “Lamentável que comparem um assassino a um gay!”
Ouvi uma voz dizendo da sala “não é uma comparação”.
Falei no mesmo tom firme de antes “É lamentável que alguém coloque um assassino no mesmo patamar que um gay”.
Estou revoltada com uma coisa dessas... com essa ignorância, com esse absurdo!
Só porque são dois corpos do mesmo sexo se desejando? Ou amar é pecado?
Quem mais pregou o amor que Jesus Cristo?!
Um assassino, aquele que tira vidas é tão “mau” quanto um homossexual? Uma pessoa trabalhadora, que é generosa, solidária, 'de bem' é má por amar alguém do mesmo sexo? Essa pessoa é má simplesmente por que ama?
Quer dizer que eu posso ser uma pessoa maravilhosa, ser uma pessoa linda, com escrúpulos, mas se sou lésbica, tenho demônios, sou 'do mau'?
Muitas vezes o amor homossexual é tão mais puro que o hetero...
Espero de coração que essas pessoas desenvolvam e trabalhem seu preconceito. Espero também que tenham alguém que possa os guiar de verdade, alguém que possa fazê-los evoluir ao invés de subdesenvolver.
22 de julho de 2011
Prouni: um drama na minha vida
Quando ainda estava no Ensino Médio demorei a decidir "que rumo seguir" depois de concluí-lo. Porém, percebi que o curso no qual eu melhor me adaptaria e que me daria prazer em cursar era o de Relações Internacionais. No entanto, passado um ano e meio, meus planos de seguir a carreira da diplomacia parecem estar indo por água abaixo.
No fim do ano passado fiz o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), mesmo já tendo cursado dois semestres em Relações Internacionais (RI) - agora três. Minha intenção era conseguir uma nota razoável, suficiente para uma bolsa integral em RI.
Este ano novas chamadas foram feitas para o Programa Universidade para todos (PROUNI) e fui pré-selecionada. Sim, fui pré-selecionada, mas para Economia.
Apesar de economia ser o curso que eu melhor aproveitaria o que estudei, a ideia de mudar de curso não me animou nada.
Minha mãe e minha família de forma geral ficaram muito contentes, mais do que eu esperaria. A família por achar que eu estou feliz com o ocorrido e minha mãe por se livrar de pagar a Universidade, que não sai barata para uma família como a minha.
Não me sentiria bem se decepcionasse algum deles e isso de certa forma me incentiva, entretanto tem algo que me incomoda demais.
Todo mundo está sabendo que eu não serei feliz fazendo Economia, todos sabem o que eu penso sobre isso, mas apenas dizem "você é jovem, não pode perder esta oportunidade, você pode fazer RI depois que se formar e tiver bem empregada".
Eu sei que não estão errados, mesmo porque não me sinto bem com meus pais pagando meus estudos, mas o que me parece é que eles dão mais importância ao dinheiro do que a minha felicidade.
Fazendo um acordo com a Universidade (aproveitamento de currículo) eu terminaria economia em 4 anos e logo depois poderia voltar para Relações Internacionais e me formar com mais 2 anos - foi o que me sugeriram.
O que as pessoas não entendem é que não é só questão de trocar ou não de curso, eu tenho planos! Planos profissionais, planos pessoais, que na verdade são sonhos e caso eu venha a ser aceita pelo programa do governo, eles só ficarão mais distantes.
Eu sofrerei por isso, já sofro pensando nisso, porque eu terei de abrir mão de alguma coisa, afinal eu não pretendo passar mais 6 anos da minha vida naquela universidade e nesta cidade. O que quero dizer é que vou acabar desistindo de Relações Internacionais caso ganhe a bolsa.
Posso futuramente voltar a fazer o que gosto, mas não creio que isto seja possível a curto prazo. É claro que eu poderia também fazer o ENEM novamente e tentar em RI como bolsista outra vez, mas eu não me inscrevi este ano, então perderia mais tempo e isso é o que eu menos quero.
Bem, ainda falta saber o resultado e este sai dia 25, então talvez tudo o que eu tenha dito seja em vão - espero que sim.
Até a próxima.
12 de junho de 2011
Feliz dia dos namorados!
No meu 18º ano de vida, vou comemorar o dia dos namorados com alguém. Talvez alguns até achem triste ou mesmo estranho, que eu tenha demorado tanto para passar este dia acompanhada...
Bem, triste é passar cada um dos dias dos namorados da sua vida com uma pessoa diferente, você passar este dia tão especial com alguém que você não ame e que não te ama.
Mas como saber se você ama seu companheiro (a) de verdade? Como saber que não se trata apenas de paixão - algo passageiro com o que muitos acabam se enganando e iludindo?
O amor verdadeiro não é fácil de entender e nem possível de explicar, você apenas sente. Não me atrevo a tentar definir, mas uma coisa é certa: você saberá reconhecer o amor da sua vida.
Gostaria muito que este dia dos namorados, por ser meu primeiro e com alguém que amo tanto, fosse muito especial, entretanto devo admitir que não será tão bom quanto eu imaginei...
O Valentine´s day é o dia mais aguardado pelos casais românticos, é um dia que eu vou guardar no meu íntimo como um dos mais significativos, assim como todos os outros que passo com o meu amor.
Não há nada mais puro do que amar alguém, não há nada mais belo que demonstrar isso.
Eu te amo.
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