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25 de fevereiro de 2012

Uma noite de terror

Desde pequena eu sempre tive problemas com ver, ouvir e sentir coisas inexplicáveis. Lá pelos 3 anos de idade eu dizia que uma nuvem negra costumava me seguir e conforme eu fui crescendo passei a ver vultos, espectros, além de ouvir vozes e sentir coisas me tocando. Eu  nunca soube lidar com isso e sempre preferi ignorar, tenho medo.

Na última quinta-feira (23) faltou luz por aqui e é claro que meu desespero foi imediato, pois o escuro piora as coisas. Eu tinha velas guardadas na minha gaveta, mas precisava ir até a cozinha para acendê-las.

Fui com a ajuda do meu celular e acendi duas velas. Voltei para o quarto e aproveitei a bateria do notebook para deixar que uma música bem alegre tocasse.

Mesmo estando toda suada - estava bastante quente - deitei na cama pra tentar dormir e esquecer do pânico, mas não conseguia.

Pensei em ligar para alguém, mas a bateria do celular acabou e nem um minuto depois acabou a do note também. Pra piorar assim que entrei naquele silêncio profundo e agonizante, a porta do meu quarto (sanfonada) pareceu ser empurrada. Fiquei atenta e pedindo a Deus pra me dar calma.

Os barulhos e objetos caindo continuaram, até que olhei para o relógio e vi que marcava 03h00. "Fudeu!"

Nem preciso dizer que os "empurrões" continuaram na porta. Mas para meu alívio poucos minutos depois e a luz voltou. "Obrigada Senhor!"

Pelo som na sala percebi que minha mãe havia saído do quarto, encontrei com ela na cozinha. Ela subiu pro quarto novamente e eu já um pouco recuperada do pavor peguei minha roupa para tomar banho e subi logo em seguida.

Quando terminei de subir a escada dei de cara com uma cena totalmente bizarra.

Estava minha mãe ajoelhada em frente ao quarto dela, fazendo movimentos estranhos, sussurrando coisas inaudíveis com aparente raiva e pra piorar com uma faca na mão.

Pensei: "Agora ela vira a cabeça e anda pelas paredes! Socorro!!!"

"Mãe? O quê que é isso?"


Ela me me ignorou e continuou com os movimentos estranhos naquele canto escuro, dava pra ver que ela estava se machucando. Ela disse "San...gue de... Jesus.... tem... poder!" fazendo verdadeira força.

Eu continuei imóvel só esperando o momento que minha mãe assumiria uma postura demoníaca.

Então a porta do quarto dela abriu e ela comemorou "consegui!! =D".

"A cadeira que estava atrás da porta acabou caindo e a trancou por dentro. Estava tentando destrancar com a faca. Graças a Deus consegui! Sangue de Jesus tem poder!"

Depois dessa, só me restou tomar meu banho, ir pra cama e dormir.

13 de novembro de 2011

Revolta contra os demônios

“Mas Deus, não tendo em conta os tempos de ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam;”
 Atos 17: 30

Há alguns meses minha mãe começou a frequentar uma igreja evangélica e, ao contrário do que muitos filhos adolescentes fariam, eu me abstive a críticas ou julgamentos, pelo contrário, sentei para conversar com minha mãe.

Ela me explicou os motivos dela e eu compreendi, assim como a expliquei e pedi que entendesse minha visão sobre o assunto, de que prefiro buscar a paz em Deus, não em uma igreja.

Tudo certo, tudo em paz, então há algumas semanas veio o anúncio de que ela iria se batizar. Sem problemas, conversamos e entendi o processo e o motivo.

Hoje minha mãe pediu para que eu digitasse algo que um “irmão” tinha dado a ela e que seria necessário para o batismo.

O papel indicava capítulos e versículos, além de algumas citações e um tipo de interpretação da bíblia.

Fui digitando e prestando atenção no que lia, até que vi isso, exatamente isso:
“Os homicídios e os afeminados não, o demônio que causa isso é muito difícil de ser tirado, ser deixado, ser libertado desses demônios”.

O sangue me subiu na hora, peguei o papel e então me dirigi até a sala, onde estavam minha mãe e uma prima (já batizada na igreja).

Li então em voz firme e com tom suave o que estava escrito e perguntei “o que isso significa?”.

Minha prima respondeu: “Bem, quer dizer que os homicídios, quero dizer, os assassinos e os afeminados - que são os  homossexuais - são maus e é difícil libertar eles”.

Meus olhos ficaram cheios de lágrimas de raiva. Entrei no meu quarto sem falar nada, mas não consegui conter aquela revolta e indignação que estava guardada no meu peito e teimava em sair... Falei alto: “Lamentável que comparem um assassino a um gay!”

Ouvi uma voz dizendo da sala “não é uma comparação”.

Falei no mesmo tom firme de antes “É lamentável que alguém coloque um assassino no mesmo patamar que um gay”.


Estou revoltada com uma coisa dessas... com essa ignorância, com esse absurdo!

Só porque são dois corpos do mesmo sexo se desejando? Ou amar é pecado?

Quem mais pregou o amor que Jesus Cristo?!

Um assassino, aquele que tira vidas é tão “mau” quanto um homossexual? Uma pessoa trabalhadora, que é generosa, solidária, 'de bem' é má por amar alguém do mesmo sexo? Essa pessoa é má simplesmente por que ama?

Quer dizer que eu posso ser uma pessoa maravilhosa, ser uma pessoa linda, com escrúpulos, mas se sou lésbica, tenho demônios, sou 'do mau'?

Muitas vezes o amor homossexual é tão mais puro que o hetero...

Espero de coração que essas pessoas desenvolvam e trabalhem seu preconceito. Espero também que tenham alguém que possa os guiar de verdade, alguém que possa fazê-los evoluir ao invés de subdesenvolver.